“O covarde teme a morte e isso é tudo o que teme.”
Outubro 24, 2008 por Gisele Veiga
(Jean Racine (22 de dezembro de 1639 – 21 de abril de 1699), dramaturgo francês.)
Eloá: Quando um pai opta por salvar a si próprio em detrimento da filha.
O Brasil assistiu durante uma semana a um espetáculo de dor, medo e impotência. Foram 100 horas de horror. Algumas pessoas não suportavam mais ouvir as reportagens e até desvalorizavam o episódio protegidas pela sensação de incredibilidade de um final trágico. Para muitos, o rapaz já parecia apenas um inconseqüente a procura de alguma forma de chamar a atenção dos espectadores para cenas onde qualquer leigo imaginava uma forma melhor, mais rápida e eficiente de finalizar.
Ouvimos até hoje as opiniões de especialistas demonstrando mais e mais a falta de preparo dos órgãos responsáveis em lidar com situações como a do seqüestro ocorrido em Santo André e seu trágico e desastroso final.
Quando não há mais o que fazer, pelo desfecho impossibilitado de retroação, é impossível deixar de observar o comportamento do pai da vítima, Eloá, uma menina de 15 anos.
Fiquei perplexa ao ouvir o depoimento deste homem ,pelo telefone, a um canal de TV onde dizia o quanto havia sofrido por não poder intervir pela filha. Afirmava com voz de choro que mesmo com seus conhecimentos de ex-policial, teria que se calar e “não poderia” defender a filha para não ser reconhecido pela polícia. Afinal, ele estava correndo risco de ser assassinado… Quanta ironia!
Passei a refletir sobre o quanto o valor a vida de um filho é relativo, dependendo dos pais em questão.
Não concebo a idéia de pais se protegerem quando esta atitude tem como conseqüência qualquer mal aos seus filhos. Que dirá quando este mal é irreparável!
Dizem que amor é um sentimento singular, que cada um tem sua própria forma de amar… Mas sinceramente, não se arriscar pela vida de uma filha para proteger-se é definitivamente uma forma incompreensível de amar.
Neste momento não me assustam os crimes cometidos anteriormente por este homem, mas me indigna sim a autoproteção superar a necessidade de proteger aqueles a quem demos a vida.
“Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos.”
(Mahatma Gandhi)
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