E por falar em amigos…
Junho 23, 2008 por Gisele Veiga

Já li extensas, intermináveis definições sobre amizade. Desde a linda “Canção da América” de Milton Nascimento; até lindos textos transformados em slides e enviados a mim quase todos os dias (graças a Deus) por tanta gente que passa por nossas vidas sem nos esquecer.
É! A internet nos trouxe de volta muitos amigos! Aqueles de longe, que a gente não consegue encontrar por um motivo ou outro e… Aqueles de perto que, em suas vidas corridas, atribuladas e cheias de compromissos não conseguem nos encontrar nem nos convidar para um cafezinho.
Mas cada um deles nos lembra todos os dias que ainda somos importantes para eles. E que foi muito importante conseguir seus endereços eletrônicos para que ao menos possamos saber que ainda estão vivos. Depois que passamos dos 40, o medo da perda torna-se inevitável!
Agora, com um pouco mais de tempo para me dedicar à coisas simples, depois de ter vendido a escola, tenho voltado aos poucos a me encontrar e a me comunicar com pessoas especiais. Gente tão maravilhosa que me faz parar prá pensar no motivo de eu ter parado de procurá-los, de ter deixado aquele telefonema pra depois e até ter deixado de atender muitas das suas ligações por considerar-me muito ocupada naquele momento.
Uma vez, ouvi de uma amiga especial: “Quinze minutos, Gi”! Você não consegue tirar 15 minutos do seu dia de 24 horas pra fazer uma ligação a um amigo? Então que vida é essa que você está levando?
E eu me revoltei. Afinal ela era uma das amigas que não trabalhava fora! Aquilo pra mim era uma cobrança injusta, pois naquele tempo eu traduzia uma dona-de-casa como alguém que tem tempo pra tudo! “Até pra ligar para os amigos e saber como vão suas vidas!”.
Quanta estupidez! É claro que eu tinha aqueles 15 minutos e muito mais. Era só organizar o meu tempo. Deixar a preguiça de discar o telefone ou pegar o carro no final de semana para fazer uma visita.
Mas o cansaço, a vontade de ficar deitada pensando na vida. A utilização do tempo “livre” para levar trabalho pra casa e me sentir VITORIOSA por “dar conta” de tanta coisa. Afinal, sou casada, tenho dois filhos… Ela também, vejam só!
Como eu poderia pensar que uma mulher que acorda de manhã, arruma seus filhos para a escola, volta e cuida de toda a casa tinha tempo de sobra? Tudo cronometrado: almoço, roupa lavada e passada, casa arrumada, jantar, remédios, supermercado, açougue, quitanda, feira, trabalho e tarefas escolares dos filhos e tanta coisa mais que talvez eu não consiga me lembrar agora.
Eu sempre trabalhei fora! Mas sempre tive empregada. Por mais que as responsabilidades se acumulem: trabalho, lista do supermercado, da feira, do açougue, tarefa e reunião dos filhos na escola… Eu chegava em casa, os banheiros estavam limpos, a casa toda arrumada e o jantar na mesa.
Não pensem que eu esteja só me culpando. Não! Defendo o meu lado também! A exaustão, a cobrança diária do trabalho fora de casa nos tira muita da energia que poderia ser empregada ao convívio social, às relações humanas, aos cuidados com os amigos e familiares.
Minha empregada não trabalha nos finais de semana (obviamente)! Então… Realmente não me sobrava muito tempo!
O que eu quero mesmo dizer é que graças a Deus meus amigos perdoaram minha ausência e me recebem de volta de braços abertos. E digo mais: é muito difícil para uma mulher que trabalha fora e tem uma família para cuidar, encontrar tempo para dedicar-se a outras coisas.
Mas a maior lição que tiro é a de que só verdadeiros amigos nos recebem assim e só a eles tenho a coragem e a humildade de me desculpar, agradecer e dizer: COMODISMO! Essa é a razão do afastamento.
Esse tema ainda volta, não é? Ainda temos maridos que não combinam com as amigas ou com os maridos delas, a família que cobra mais duramente os nossos finais de semana…
É, vai longe!
Um grande beijo a todos vocês, amigos queridos!
GI
Publicado em AMIZADE, AMOR, LIÇÃO DE VIDA, RELACIONAMENTO, RUMOS, VIDA | Tagged AMIZADE, AUTOCONHECIMENTO, REENCONTRO, RESPEITO, RUMOS, VIDA | Sem comentários ainda
Deixar uma Resposta